sábado, 16 de dezembro de 2017

Adaptar!

Desde que eu sai de Bh para morar em Buenos Aires tenho a sensação de ter o meu coração dividido. 


Dividido entre o desejo de aproveitar essa experiência ao máximo, e tudo aquilo que sinto falta no meu dia-a-dia. 

 

Eu sempre soube que o mais fácil seria voltar para minha zona de conforto, mas o desejo por desafio era maior que isso. E assim vivi quase 6 anos fora do Brasil.

 

E para quem me conhece desde sempre sabe que essa oportunidade/experiência era algo extraordinário, e para que não me conhece explico. Cresci em uma família que saiu do interior de Minas para viver na Capital, meus pais são super simples, cresci em uma ambiente interiorano , colégio público, sem viagem de férias incríveis. Conheci o mar aos 18 anos por ser teimosa, e por ter vergonha de contar que não conhecia praia. Minha primeira viagem de avião foi para Buenos Aires aos 21 anos (sem saber que 1 ano e meio depois viria de mudança).

 

Hoje, 28 anos, quase 6 morando fora. Conheci mais de 13 países e espero que esse número aumente. Realizei o meu sonho que era fazer intercâmbio e dar um upgrade no meu inglês. De toda essa experiência acho que o mais importante foi que perceber que somos uma “particulasinha” nesse mundão. Tive a oportunidade de conhecer tanta gente de diversos países, culturas e religiões, e cada vez que penso que conheço muito percebo que mais coisas tenho para ver e aprender. Além disso, não vejo mais sinto que já não existem barreiras com o mundo. 

 

Como contava no início , nesse tempo senti a falta de muitas coisas de casa. Tinha a sensação de estar perdendo muitas coisas, mas principalmente doía ver como meus pais iam envelhecendo sem eu estar por perto. Sempre soube que em algum momento tinha que tomar a decisão de voltar, mas sabia que não seria fácil. 

 

Bem, chegou esse dia. Semana que vem embarco pra BH de vez. Para me consolar de certa forma penso que esse “de vez” não é para sempre, e que quando bater aquela vontade de experimentar algo novo, vou estar preparada também. 

 

Além da oportunidade profissional, vejo que preciso recarregar as baterias de alguma forma. 

 

O meu maior medo em todo esse tempo, era relacionado as coisas que eu iria “perder” ou deixar pra trás, mas principalmente era o medo de voltar e deixar de lados as mudanças que tinha acontecido internamente, e os meus novos valores. 

 

Finalmente, percebi que isso está incorporado e que não é simplesmente algo que posso deixar de lado por mudar de cidade. Eu espero voltar uma pessoa diferente, e com a consciência que vou ter que a “re -adaptar” ao meu país ( e que isso pode ser mais difícil que “adaptar” a outro).


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