Desde que eu
sai de Bh para morar em Buenos Aires tenho a sensação de ter o meu coração
dividido.
Dividido entre o desejo de aproveitar essa experiência ao máximo, e tudo aquilo que sinto falta no meu dia-a-dia.
Eu sempre soube que o mais fácil seria voltar para
minha zona de conforto, mas o desejo por desafio era maior que isso. E assim
vivi quase 6 anos fora do Brasil.
E para quem me conhece desde sempre sabe que essa oportunidade/experiência era
algo extraordinário, e para que não me conhece explico. Cresci em uma família
que saiu do interior de Minas para viver na Capital, meus pais são super
simples, cresci em uma ambiente interiorano , colégio público, sem viagem de
férias incríveis. Conheci o mar aos 18 anos por ser teimosa, e por ter vergonha
de contar que não conhecia praia. Minha primeira viagem de avião foi para
Buenos Aires aos 21 anos (sem saber que 1 ano e meio depois viria de mudança).
Hoje, 28 anos, quase 6 morando fora. Conheci mais de
13 países e espero que esse número aumente. Realizei o meu sonho que era fazer
intercâmbio e dar um upgrade no meu inglês. De toda essa experiência acho que o
mais importante foi que perceber que somos uma “particulasinha” nesse mundão.
Tive a oportunidade de conhecer tanta gente de diversos países, culturas e
religiões, e cada vez que penso que conheço muito percebo que mais coisas tenho
para ver e aprender. Além disso, não vejo mais sinto que já não existem barreiras
com o mundo.
Como contava no início , nesse tempo senti a falta de
muitas coisas de casa. Tinha a sensação de estar perdendo muitas coisas, mas
principalmente doía ver como meus pais iam envelhecendo sem eu estar por perto.
Sempre soube que em algum momento tinha que tomar a decisão de voltar, mas
sabia que não seria fácil.
Bem, chegou esse dia. Semana que vem embarco pra BH de vez. Para me consolar de certa forma penso que esse “de vez” não é para sempre, e que quando bater aquela vontade de experimentar algo novo, vou estar preparada também.
Além da oportunidade profissional, vejo que preciso
recarregar as baterias de alguma forma.
O meu maior medo em todo esse tempo, era relacionado
as coisas que eu iria “perder” ou deixar pra trás, mas principalmente era o medo
de voltar e deixar de lados as mudanças que tinha acontecido internamente, e os
meus novos valores.
Finalmente, percebi que isso está incorporado e que não é simplesmente algo que posso deixar de lado por mudar de cidade. Eu espero voltar uma pessoa diferente, e com a consciência que vou ter que a “re -adaptar” ao meu país ( e que isso pode ser mais difícil que “adaptar” a outro).
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