Às vezes penso em tudo o que implica uma
mudança seja de cidade, estado ou país ou qualquer situação que te faça sair da
zona de conforto. Sinceramente é difícil descrever tudo o que se poder
aprender, e quando penso no que vivi e aprendi desde o dia que eu entrei
naquele avião sozinha três anos atrás passa um filme na cabeça. Para não
esquecer o quanto amadureci costumo fazer listas, elencar o que foi mais
difícil, o que aprendi e também o que tiver que superar.
Acho que tive sorte pelo fato da
minha primeira mudança ter sido para "perto de casa". Esse perto
de casa significava que com muita vontade e promoções de passagens eu estaria
em casa em 12 horas, mas o mais importante foi porque permitiu uma adaptação
gradual, e quando sentia falta de algo pensava que em breve estaria de volta a
BH.
Perto ou longe, a saudade é inevitável, a
saudades dos amigos, da família, dos almoços de domingo na casa da avó, da
comida, do clima e de todas aquelas coisas automáticas que fazemos e só nos
damos conta o quanto é importante quando não temos mais, mas eu tinha uma
Grande estratégia que era não sofrer com a “falta” e sim valorizar e olhar para
o “novo”.
Meu desejo (e necessidade também) sempre
foi aprender outro idioma (obvio que inglês), mas tive a grande oportunidade de
mudar para a Argentina, morar sozinha, aprender “Castellano” e trabalhar em uma
nova função. Naquele momento a minha maior vontade era um desafio que fosse
maior que as montanhas de Minas eu aceitei sem duvidar que eu me adaptaria.
Vivi esses quase três anos em Buenos Aires
com a sensação de que era uma Argentina a mais, lutando diariamente para me
integrar ao grupo, seja no trabalho, na faculdade, nos hábitos, e acho que
cumprir perfeitamente o que me propus. Chegou um momento que percebi que
precisaria de mais um desafio, e dessa vez o que era mais importante era tentar
evoluir com o inglês (meu pesadelo desde o colégio). Bom e agora estou aqui
estudando inglês e em um ritmo de vida muito diferente do que estava acostumada.
Com poucos meses na Irlanda, e sem saber
se sinto falta de BH ou BsAs, percebo que estou sem lugar pra chamar de casa ou
pra dizer que tenho saudade. Me pergunto qual seria o meu "lugar", e
descubro que depois de viver na Argentina, viajar com mais frequência,
conhecer lugares, pessoas, culturas e hábitos diferentes eu gostaria de ter a
chance de poder juntar o melhor de cada um e criar “o meu mundinho perfeito”.
Nele eu colocaria as mais lindas
paisagens, o melhor clima, as pessoas mais legais e especiais, os melhores
hábitos, as comidas mais gostosas, e até criaria um idioma novo. Ele teria as
flores da Irlanda, os jacarandás com as flores roxas de Buenos Aires e os o
Ypes de diversas cores que temos no Brasil. O clima eu selecionaria um verão de
muito sol, outono com muitas árvores de folhas amarelas e um inverno não tão
rigoroso, teria um friozinho pra criar uma atmosfera para um café quentinho ou
para ficar em casa assistindo filme o domingo todo.
Eu desejo que ele tenha os cafés fofos de
Buenos Aires, os Bares de BH, parques lindos (Buenos Aires e Irlanda
disputaria) e a segurança da Irlanda. As pessoas seriam uma mistura
interessante porque seriam educadas como os irlandeses, teria amabilidade do
brasileiro (especifico o mineiro) e valorizaria a vida como um argentino.
Difícil decidir entre a comida do Brasil ou
Argentina porque acho que nos brasileiros temos muita variedade, mas misturamos
demais. Isso me dá a sensação de não degustamos muito bem cada alimento. Na
Argentina acontece o contrário porque os prantos são simples e às vezes falta
um pouquinho de variedade. Excelente oportunidade para criar um cardápio novo. O
que tenho certeza é que não poderia faltar crepe de doce de leite, brigadeiro e
chocotorta. Da Irlanda não aproveitaria muito os hábitos alimentares,
realmente a alimentação deles é um capitulo a parte, talvez colocasse os
“Berrys”.
O idioma também seria, pode parecer
engraçado, adaptado. Certas palavras ou expressões em “Castellano” me dão a
sensação de que me expresso melhor. Um exemplo: "boludo". Quando uso
essa palavra para chamar alguém de idiota, tonto ou bobo sinto que realmente
estou xingando, mas não estou sendo agressiva, e ela é tão curinga que posso
cumprimentar um amigo "che, boludo", ou até se punir "ai, que
boluda". Alguém me conta que “fulano” vacilou e eu digo "mas que
tarado" com o sentimento de que ele está devidamente insultado. Ainda não
tenho palavras em Inglês, mas tenho certeza que em breve vou agregar algumas na
minha pequena lista.
Tenho vários detalhes para agregar no meu
mundinho perfeito e continuo querendo novas ideias. Sei que ele só existe na
minha cabeça, mas engana-se quem pensa que fico triste por isso. Já me contento
em saber que em algum lugar do mundo real as coisas que eu admiro existem ou acontecem.

Tetê, rí e me emocionei lendo. Você teve uma sacada sensacional e eu concordo plenamente.
ResponderExcluirSomente uma pessoa sensível e generosa como você poderia ter sido tão atenta a todos estes detalhes.
Sempre torcendo por você,
Com amor,
Ratinha